Entre os momentos altos do concerto, destacou-se a interpretação de uma peça do maestro António Victorino D’Almeida, que fez questão de apresentar o recital e teceu elogios à artista. “Parabéns, parabéns, parabéns! Foi muito bom. Quem sabe, nunca esquece!”, afirmou o maestro, enaltecendo a qualidade da interpretação de Patrícia Costa.
O programa do recital levou o público a uma viagem pela música erudita portuguesa, iniciando com o barroco de Carlos Seixas e João de Sousa Carvalho e prosseguindo, na segunda parte, com compositores como Armando José Fernandes, António Fragoso, António Pinho Vargas e António Victorino D’Almeida. O concerto teve ainda um toque especial com a interpretação de duas composições originais da própria pianista. “Desde sempre toco música erudita”, revelou Patrícia Costa ao Jornal das Caldas.
Sobre o seu processo criativo, a pianista descreve-o como “muito espontâneo, quase como se de uma catarse se tratasse”. Um exemplo disso é a sua peça “Os Castros”, inspirada no argumento de um filme com o mesmo título, escrito pelo seu irmão, o realizador Miguel Costa. “A ideia surgiu espontaneamente depois de ler o guião”, explicou.
Regressar às Caldas da Rainha foi um momento especial para a artista. “É muito gratificante voltar à cidade onde vivi e ao CCC, uma das salas de referência no país”, partilhou. No final da noite, ficou na sua memória o caloroso reconhecimento do público e as palavras do maestro António Victorino D’Almeida.
A sua ligação com o maestro remonta à adolescência, quando, aos 14 anos, participou pela primeira vez num dos seus concertos. “Mais tarde, tive a oportunidade de colaborar em vários outros espetáculos dirigidos por ele. Aos 22 anos, acompanhei-o à Áustria, onde tive aulas com Cármen Graff, professora da Academia de Viena, durante o ano letivo de 1991/1992. Tem sido uma honra e um privilégio trabalhar e conviver com aquele que considero o mais importante compositor português da atualidade, sempre com enorme admiração e amizade”, afirmou.
Patrícia Costa iniciou os estudos de piano nas Caldas da Rainha com a professora Alzira Neves, a quem fez questão de prestar homenagem: “Deu-me todas as boas bases para entrar no Conservatório e prosseguir estudos”.
Atualmente, reside em Tavira, cidade onde escolheu viver nos últimos quatro anos. “Foram essencialmente razões de saúde que me levaram a mudar. Tavira sempre foi a minha terra de eleição para férias, adoro a energia da cidade, as praias e a qualidade de vida”, confidenciou.
A pianista divide o seu tempo entre os concertos e o ensino, lecionando no Conservatório de Olhão e dinamizando masterclasses. Quanto aos desafios de ser pianista e compositora em Portugal, destaca a dificuldade em conciliar o ensino com o estudo de novos repertórios e o tempo para compor. “Faltam apoios para a música erudita. Existem poucos concertos e incentivos ao processo criativo, como bolsas para compositores”, lamentou.
Entre os seus projetos futuros, está a gravação de um álbum de originais e a apresentação de novos recitais com repertório de compositores portugueses.
Patrícia Costa espera regressar mais vezes às Caldas para partilhar a sua música com o público da sua terra. “Gostaria muito de voltar com mais frequência e estar envolvida em novos projetos musicais nas Caldas da Rainha”, concluiu.