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“A Rússia precisa de um 25 de abril”

A sessão solene da Assembleia Municipal do Bombarral sobre o 25 de abril, decorrida no Salão Nobre dos Paços do Concelho, ficou marcada pelo discurso do presidente da Câmara, Ricardo Fernandes, que defendeu que “a Rússia precisa de um 25 de abril”.

A sessão solene da Assembleia Municipal do Bombarral sobre o 25 de abril, decorrida no Salão Nobre dos Paços do Concelho, ficou marcada pelo discurso do presidente da Câmara, Ricardo Fernandes, que defendeu que “a Rússia precisa de um 25 de abril”.

“48 anos após o fim da ditadura em Portugal e 77 anos após o fim da segunda guerra mundial, a Europa vive um momento que poucos imaginariam há pouco tempo. A democracia e o projeto europeu são ameaçados pela ingerência externa de estados totalitários. Quando um ditador como Putin invade ilegitimamente a Ucrânia, um país democrático, brutalizando a população civil, sem condescendência com mulheres, idosos e crianças, com mais de 10 milhões de deslocados, é a liberdade e a democracia que estão colocadas em causa”, manifestou o presidente da Câmara.

O autarca sublinhou, no seu discurso, que “este ditador demonstrou que a democracia não está segura e que a liberdade na Europa está em risco. Por isso, atrever-me-ia a dizer que também a Rússia precisa de um 25 de abril”.

Ricardo Fernandes relatou que “aqui no Bombarral somos solidários com a Ucrânia e também procuramos fazer a nossa parte”. O edil descreveu que “desde o primeiro momento que a Câmara Municipal do Bombarral demonstrou total disponibilidade para apoiar e receber aqueles que fogem do flagelo da guerra e que procuram a paz para a sua família. Por isso, decidimos, por unanimidade, criar um mecanismo interno para ajudar os deslocados”.

Entre os mecanismos aprovados, “foi implementado um gabinete de apoio, que garante apoio alimentar e roupa, alojamento particular temporário, e alojamento municipal, apoio à integração de crianças e jovens no sistema de ensino, ajuda a encontrar emprego, aulas de português, apoio psicológico e apoio jurídico, no âmbito do regime simplificado para acolhimento e integração”.

Ao mesmo tempo “disponibilizámos um ponto de contacto exclusivo com o município, para quem tem familiares ou que conheça alguém que pretenda apoio da Câmara Municipal do Bombarral”.

Terreno para hospital no Bombarral

O presidente da Câmara do Bombarral fez também uma análise à situação portuguesa. “Durante estes últimos 48 anos de liberdade, os portugueses observaram e participaram na construção de um país que até esse dia vivia isolado, reprimido debaixo do obscurantismo de uma ditadura conservadora e elitista. Nestas comemorações do 25 de abril é importante relembrar que foi a liberdade que nos abriu a porta para a globalização, para a Europa, que aproximou os povos e as suas economias, que permitiu a partilha do conhecimento e da prosperidade”, afirmou.

Para o autarca, “o 25 de abril representa, acima de tudo, um salto civilizacional para a sociedade portuguesa”. “Em 1974 a esperança média de vida em Portugal era de 68 anos, em 2019 foi de 81 anos. A taxa de mortalidade infantil durante a ditadura andava entre os 28% e 38%, em 2020 passou a ser de 2,4%. Não há comparação, é uma diferença enorme”, sublinhou.

“Se formos olhar à taxa de analfabetismo, no início da década de 70, um em cada quatro portugueses com mais de 15 anos, 25,7% da população, não sabia ler nem escrever. A taxa real de escolarização no ensino secundário era em 1973 de 5%, apenas 5 em cada 100 jovens estava inscrito no ensino secundário. Hoje temos uma taxa acima dos 81%”, prosseguiu.

Contudo, ressalvou que “ainda temos um longo caminho pela frente, por exemplo, aqui no Bombarral tem-se sentido a falta de profissionais de saúde, pelo que tivemos de promover a contratação mais médicos para reforçar o atendimento na Unidade de Saúde Familiar do Bombarral, e também é cada vez mais evidente a importância de um novo hospital para a região”.

Ricardo Fernandes indicou que o Município “continua a pressionar todas as entidades competentes no sentido de se avançar rapidamente para a construção desse novo hospital da região Oeste e do nosso lado já disponibilizámos um terreno para o efeito, que garante a equidistância entre todos os concelhos da região, permitindo uma resposta rápida às necessidades da comunidade, pelas boas acessibilidades e pela respetiva localização”.

“Evitar erros do passado”

O presidente da Assembleia Municipal, Élio Leal, afirmou no seu discurso que “o maior legado da história deveria ser a possibilidade de evitar que se cometam os erros do passado. Porém, a história também nos tem ensinado o mundo teima em não aprender com esses mesmos erros. É por isso que é tão importante assinalar as datas que foram decisivas na nossa história e que contribuíram para que estejamos aqui a expressar livremente as nossas ideias”.

Segundo admitiu, “o que está a acontecer neste momento na Ucrânia, mas também em outros países” revela “a nossa falha enquanto sociedade e enquanto espécie humana”.

O autarca mostrou-se preocupado porque “em 2022, perante um mundo ainda tão desigual em termos sociais, económicos e humanos, ouvimos jovens fazerem ponto de honra no facto de não votarem, nem tão pouco estarem interessados nisso”.

“Aqueles que, tal como eu, nasceram depois de 1974, têm uma responsabilidade acrescida e o dever de preservar e alimentar a democracia e os valores que a representam”, vincou.

A sessão solene contou ainda com as intervenções dos representantes de cada uma das forças políticas com assento neste órgão autárquico: Margarida Marques (PS), Vanda Laura (PSD), Maria de Los Angeles (CDU) e Norberto Brunheta (CDS/PP).

No dia 25 o programa começou com o hastear das bandeiras na sede da União de Freguesias e Bombarral e Vale Covo, e na sede do Município, com a presença das entidades oficiais, da Banda do Círculo de Cultura Musical Bombarralense, dos Bombeiros Voluntários do Bombarral e do Move Associativismo – Bombarral.

Houve uma largada de pombos com a colaboração do Grupo Columbófilo Bombarralense, na Praça do Município e um almoço convívio aberto à população no pátio do Teatro Eduardo Brazão.

As comemorações, organizadas pela União de Freguesias de Bombarral e Vale Covo, Associação de Defesa do Património Cultural do Concelho do Bombarral, UCRBombarral/Teatro Eduardo Brazão, com o apoio do Município do Bombarral, contaram também na véspera com a inauguração da exposição “Fotos dos dias seguintes ao 25 de Abril de 1974 no Bombarral”, no Teatro Eduardo Brazão, com uma tertúlia sobre a repressão no Estado Novo vivido por famílias do Bombarral, moderada por Joaquim Santos e participação de Manuel Patuleia, José Pires e Sérgio Macatrão, e com o convívio “Música nas Conversas, com músicas de intervenção que marcaram este período, interpretadas pelo bombarralense Emanuel Casimiro.

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