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Morte de Isabel II faz recordar “visita do século” a Portugal, com um dia no distrito de Leiria

Aos 96 anos, 70 dos quais de reinado, morreu a Rainha Isabel II de Inglaterra, fazendo recordar a sua visita oficial de cinco dias a Portugal, pouco depois de ter assumido o trono. A 18 de fevereiro de 1957, Isabel II, então com 30 anos, iniciava oficialmente a sua primeira visita a Portugal, retribuindo a visita que o então Presidente da República, General Craveiro Lopes, fizera a Inglaterra, em 1955. Foi considerada a “visita do século”.

Aos 96 anos, 70 dos quais de reinado, morreu a Rainha Isabel II de Inglaterra, fazendo recordar a sua visita oficial de cinco dias a Portugal, pouco depois de ter assumido o trono. A 18 de fevereiro de 1957, Isabel II, então com 30 anos, iniciava oficialmente a sua primeira visita a Portugal, retribuindo a visita que o então Presidente da República, General Craveiro Lopes, fizera a Inglaterra, em 1955. Foi considerada a “visita do século”.

Em fevereiro de 1957, a rainha Isabel II e o seu marido, príncipe Filipe, duque de Edimburgo, realizaram uma visita a Portugal. A monarca inglesa, que se tornou rainha a 6 de fevereiro de 1952, após a morte do seu pai, o rei Jorge VI, passou no dia 20 de fevereiro por Óbidos e Caldas da Rainha a caminho de Nazaré, Alcobaça e Batalha, tendo multidões à sua espera.

O Município de Óbidos, que lamentou a morte da Rainha e apresentou as suas “sentidas condolências à família real, ao povo do Reino Unido, da Commonwealth e a toda a comunidade britânica residente no concelho de Óbidos”, publicou o recorte da capa do jornal Obidense, de 1 de março de 1957, onde se escreveu em título: “A Rainha Isabel II passou por terras de Óbidos”.

“Muito embora com a curta permanência de apenas alguns minutos, passou pelo nosso concelho, por terras da Sancheira Grande, freguesia de A-dos-Negros, Sua Majestade a Rainha de Inglaterra, com seu luzido cortejo. A nossa terra, que deu guarida e foi solar das Rainhas de Portugal, orgulha-se por ter recebido, embora quase momentaneamente, a Augusta Soberana da Grã-Bretanha”, lê-se nesse jornal.

A Câmara Municipal das Caldas da Rainha publicou a fotografia da passagem da Rainha pelas Caldas da Rainha, juntando-se “ao povo britânico no sentimento de pesar pelo falecimento de Sua Alteza Real Isabel II”. A imagem, do arquivo da RTP, mostra o carro da rainha na rotunda da Rainha e muitas pessoas em redor a ver.

Mário Lino, atualmente diretor do museu do ciclismo das Caldas da Rainha, na altura tinha dez anos e andava na 4ª classe na escola masculina na praça 5 de Outubro. “Fomos todos de bata para o Largo da Rainha para ver Isabel II e dissemos-lhe adeus”, contou à jornalista Marta Roque, num artigo publicado em julho deste ano no Jornal das Caldas, a propósito das comemorações do jubileu da rainha.

No grupo do Facebook Janela do Tempo – Arquivo fotográfico caldense, o seu administrador, Diamantino Fernandes, publica uma foto em que se vê o carro e a estátua da Rainha D. Leonor, num autêntico encontro de realezas.

A viatura real não parou e seguiu viagem até à Nazaré. Um documento no arquivo do Museu da Presidência da República relata todo o cerimonial programado: “O cortejo real passará pela estrada marginal da Nazaré sem parar, ainda que em velocidade muito moderada. Só chegado ao Sítio a Rainha, o Duque e as pessoas do seu séquito irão ver a vista, se o tempo o permitir, do miradouro que ali existe. No caso de Sua Majestade desejar descansar uns minutos, uma pequena casa nesse local está preparada para a receber. A senhora Duquesa de Palmela tratou desse pormenor”.

Alguns nazarenos recordam essa altura. Conta Norberto Isaac, de 75 anos, que “a Nazaré era uma terra pobre e a Câmara andou a caiar as casas e a alcatroar estradas, para mostrar terra limpa e arrumada”.

João Cardoso, de 72 anos, lembra-se que “nesse dia não houve aulas na escola primária e aparecemos todos de bata branca para aplaudir a rainha e depois houve um lanche”.

À passagem pela Praça Sousa Oliveira, onde havia uma bela moldura de trajes típicos da Nazaré, registava-se a atuação do rancho folclórico Tá-Mar e foi toda a gente em correria atrás do carro, que só acabou por parar no Sítio da Nazaré.

A atual loja no Sítio da Nazaré de que António Nunes, de 81 anos, é proprietário, era na altura uma habitação cujo dono, um médico, acedeu a que fossem melhoradas as instalações sanitárias da casa para uma possível utilização pela rainha, uma vez que o carro real iria parar (e parou) mesmo em frente. Diz-se que a rainha não chegou a usar essa casa de banho. 

Mas António Nunes tem uma fotografia da rainha no Sítio da Nazaré, em frente à sua atual loja. Já na ocasião existiam na rua sanitários públicos, junto aos quais o carro real parou, em cima do passeio, mas não foram esses os sanitários melhorados.

Seguiu-se a deslocação até Alcobaça. O atual Câmara também recordou esse momento, descrevendo que o seu “muito orgulho que o nosso imponente Mosteiro tenha sido a sala de honra desta memorável visita, há 65 anos”. “Em nome da Câmara Municipal de Alcobaça, presto a minha homenagem a uma das figuras maiores do nosso tempo”, manifestou Hermínio Rodrigues, que publicou uma fotografia pertencente ao arquivo da Biblioteca Municipal de Alcobaça.

Segundo relatos da época, a rainha subiu a escadaria do Mosteiro, ladeada por estudantes de Coimbra que se ajoelharam e estenderam as suas capas à passagem da monarca. Conquistou de imediato os corações da população alcobacense.

A rainha foi recebida pelas autoridades locais e nacionais civis e militares, bem como pelo Presidente da República, o General Craveiro Lopes.

A visita teve início junto dos túmulos de Pedro e Inês. Após breve passagem pela Sala dos Reis, foi homenageada com um banquete no Refeitório.

O técnico superior do Mosteiro de Alcobaça, Jorge Pereira de Sampaio, autor do livro “Vivências do Mosteiro de Alcobaça – 1945/2005”, incluiu nesta obra um capítulo da deslocação real.

Ângela Pedrosa, nascida a 11 de setembro de 1931, tinha 25 anos quando assistiu à chegada da rainha ao Mosteiro de Alcobaça, e ficou fascinada com todo o ambiente vivido.

De Alcobaça a realeza foi para a Batalha. A comerciante Lurdes Barros, de 86 anos, tinha 21 anos quando foi convidada pela Câmara da Batalha a entregar um ramo de rosas brancas à rainha Isabel II, à sua chegada ao Mosteiro.

A rainha travou conversa com ela, através de intérprete, e segundo Lurdes Barros, ficou admirada por uma rapariga jovem já estar estabelecida (casada e a trabalhar por conta própria).

Aqui se verificou um episódio hilariante, segundo a comerciante, que relatou que o padre local pediu para tapar um cartaz da Kodak (a comerciante vendia, num quiosque que já não existe, entre outros artigos, rolos fotográficos da Kodak) que tinha uma mulher com uma saia curta. O pároco entendia que a rainha poderia ficar escandalizada. O cartaz (já não existente) não foi retirado, mas acabou por ser tapado com um avental e pelo marido de Lurdes Barros, que se colocou à frente.

No interior do mosteiro, a rainha visitou a sala do túmulo de D. João I e D. Filipa e a sala do Soldado Desconhecido, onde depositou uma coroa de flores. Mais tarde ela e o marido enviariam um cartão assinado de Buckingham Palace, que está em exposição no mosteiro.

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