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Em pouco mais de duas semanas fecharam 25 espaços comerciais nas Caldas 

Como está a acontecer a nível nacional, também nas Caldas da Rainha o comércio tradicional está a ressentir-se devido à inflação. Em entrevista ao JORNAL DAS CALDAS, Luís Gomes, presidente da direção da ACCCRO – Associação Empresarial das Caldas da Rainha e Oeste, afirmou que entre meados de dezembro de 2023 e início de janeiro deste ano, desistiram 25 associados, o que significa que “fecharam os seus estabelecimentos”.

“Houve comerciantes que encerraram os seus espaços e desapareceram e nós só ficámos a saber quando tentámos contactar e verificámos que tinham fechado a porta”. “Em cinco anos de direção foi o ano em que tivemos mais desistências de associados”, salientou Luís Gomes.

Um dos motivos apontados é a redução do consumo, “um pouco por todos os setores e o aumento das rendas que os comerciantes não conseguem pagar”. 

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O presidente da ACCCRO defende uma estratégia conjunta para atrair empresários

“A tendência é preocupante e é inevitável que venha a refletir-se nos números do desemprego”, referiu o presidente da direção da ACCCRO.

No entanto, Luís Gomes afirmou que para balançar a desistência de alguns associados estão para entrar mais 25 sócios, mas derivado a “estabelecimentos que vão abrir nos arredores do concelho”.

“Esta preocupação já foi falada numa das tertúlias que realizámos e o Município tem que ter uma estratégia para alavancar a economia da cidade”, referiu, acrescentando que “as rendas das lojas no centro das Caldas aumentaram muito e é preciso ajudar os empresários”. 

Luís Gomes defendeu “um plano de ação para que as lojas se mantenham no centro da cidade, como a ajuda aos comerciantes, com a redução da conta da água, taxas de esplanadas, entre outros apoios diretos”. Aconselhou ainda mais eventos na cidade para atrair visitantes. “Estou aqui a dar ideias, mas não quero de forma nenhum entrar em conflito com o Município, porque é uma situação muito difícil e temos que estar unidos para conseguir ajudar o comércio”, adiantou. 

O responsável recordou que a ACCCRO fez uma candidatura ao projeto Bairro Comercial Digital, “que irá dar o salto para ajudar a reforçar as capacidades das empresas em matéria de transição digital, abrindo assim novas oportunidades ao comércio e serviços das Caldas da Rainha e aos consumidores”.

ACCCRO faz balanço positivo da iluminação natalícia

O presidente da ACCCRO fez um balanço positivo do programa da animação de natal nas Caldas da Rainha, que arrancou a 18 de novembro, com a inauguração da iluminação natalícia ao som da dupla “Os Anjos”. “Nos anos que estou envolvido neste projeto da ACCCRO foi o que a iluminação conseguiu agradar à maioria das pessoas, que adoraram a megaestrutura em formato de anjo”, contou.

Uma surpresa, numa altura que “as coisas não estão bem na Europa e no mundo era preciso dar o nosso contributo para manter alguma dinâmica no nosso comércio e demonstrar fraternidade”.

Luís Gomes disse que o concerto de “Os Anjos” superou as expetativas, “ultrapassando a presença de 20 mil pessoas”. “O som não foi tão bom em alguns locais e isso aconteceu porque apareceram mais pessoas do que esperávamos, o que significa que alguma população que estava mais longe do palco não teve acesso ao som tão bom como as pessoas que estavam mais perto e isso é o preço do sucesso”, explicou. 

O dirigente comercial garantiu que o feedback recebido por parte dos associados “aponta para um balanço bastante melhor que nos anos anteriores em relação à iluminação”. “O balanço que fazemos é que havia mais pessoas na rua na época natalícia em 2023, mas a nível de compras não conseguimos ultrapassar 2022 devido à inflação e à falta de poder de compra das pessoas”, indicou. 

O comércio regista vendas de natal, mas em índice abaixo do esperado, segundo observações iniciais feitas pela ACCCRO. “Havia mais pessoas na rua, mas com menos sacos de compras, ficando abaixo do ano passado”, referiu. 

O único setor que não sofreu foi a restauração. “Os restaurantes mantiveram em relação ao ano passado, mas notou-se em 2023 mais grupos pequenos”, revelou.

Esperando que a parceria com a autarquia “continue e seja alargada nos próximos anos, porque a cidade e os comerciantes ficam a ganhar”, manifestou que “o Município, a ACCCRO e a União de Freguesias de Nossa Senhora do Pópulo, Coto e São Gregório cumpriram o seu papel”.

Apesar de fazer um balanço positivo do natal nas Caldas, Luís Gomes não deixou de salientar que podiam “ter feito mais e que o facto de haver mais animação na Praça 5 de Outubro e no Parque D. Carlos I não prejudicou o comércio, mas também não beneficiou”, declarou.

Quanto à iniciativa “Caldas Fora de Horas”, que consistiu na abertura do comércio local depois das 19h00, durante o mês de dezembro, em especial na semana de 18 a 23, Luís Gomes disse que houve um aumento exponencial, com mais adesão do que em 2022. “No ano passado 29 lojas aderiram e este ano contámos com 49 espaços que se uniram ao projeto. O tempo frio não levou tantos visitantes e os comerciantes abriram, mas fizeram a gestão do horário”, relatou Luís Gomes, reconhecendo que “uma das grandes dificuldades é mesmo a gestão de recursos humanos, especialmente tendo em conta que muitos são pequenos negócios, o que obriga os comerciantes, muitas das vezes, a prolongarem eles mesmos os seus horários durante estes dias”.

Revelou que a ACCCRO que não vai desistir do projeto, louvou as lojas que aderiram e espera que a população “comece também a deslocar-se à noite ao centro da cidade na época festiva, que este ano teve mais policiamento e animação”.

Este ano pela primeira vez o Caldas Fashion, evento do JORNAL DAS CALDAS fez parte do projeto do natal das Caldas. Houve alguns estabelecimentos de pronto a vestir que lamentaram à ACCCRO o facto de não terem participado. Luís Gomes voltou a dizer que é o “preço do sucesso”. “Foi um evento que esgotou, mas se não tivesse sido um grande sucesso as pessoas não reclamavam porque não participaram ou porque não conseguiram bilhete”, sustentou.

“Natal é o evento mais consolidado nas Caldas”

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Cláudia Henriques, da Loja do Sr. Jacinto, não quer uma cidade-dormitório
 
 

Cláudia Henriques, responsável pela Loja do Sr. Jacinto, na Rua Miguel Bombarda, considera importante os espaços comerciais da cidade “prepararem o natal mais cedo porque as compras começam mais tarde, mas o espírito, a procura, o olhar e o ver começa cada vez mais cedo”.

De todos os eventos que a cidade tem proporcionado ao longo do ano esta empresária considera que o natal “é o mais consolidado”. “Seja um anjo ou uma árvore, as pessoas começam a ter a cultura de vir à cidade e começa a ser uma coisa sustentada”, referiu, considerando que o concerto para a inauguração das luzes de natal tem sido um “excelente investimento e este ano foi muito bom com “Os Anjos” e a população já espera esse dia”.

No entanto, sustentou que é possível fazer “muito mais”, admitindo que “são coisas que não mudam do dia para a noite”.

Já temos pessoas que todos os anos vêm às Caldas para ver as luzes e a animação, mas também para vir à Loja do Sr. Jacinto, porque criaram esse hábito”, sublinhou.

A Loja do Sr. Jacinto até começou a abrir as portas à noite antes da sugestão da ACCCRO. “Nós abrimos à noite há três anos e sei que é muito complicado devido à gestão dos recursos humanos, mas a cidade tem que começar a combater isto, ou seja, se os cafés não estão abertos temos que colocar a barraquinha de café e a de comes e bebes”, relatou.

No natal teve à noite centenas de pessoas à sua porta. Fizeram uma parceria com a Livraria Bichinho de Conto, onde Mafalda Milhões “vinha aqui contar histórias para crianças à volta de uma fogueira”. A colaboração estendeu-se ao Geo Wine & Supra, que deu a provar e vendeu o seu vinho.

Foram, segundo a proprietária da Loja do Sr. Jacinto, “noites animadas e de grande sucesso”. “Se me perguntarem se vendi muito, considero que não podemos pensar dessa forma, porque posso não vender hoje e vender amanhã”, salientou.

Cláudia Henriques frisou que as pessoas das Caldas têm que decidir se querem “ter uma cidade-dormitório ou se querem Caldas com vida, porque fiz no exterior da Loja do Sr. Jacinto um jantar de natal, onde pusemos uma mesa com uma fogueira e às 21h30 vieram-me dizer que a PSP numa hora e meia recebeu quatro chamadas a fazer reclamações”. “Se queremos uma cidade mais dinâmica, estas pessoas têm que deixar de ter voz”, declarou.

A empresária apelou a uma união dos comerciantes em torno de um objetivo comum, mas sente que é “preciso mais estratégia e que a comunicação flua “entre o Município, a ACCCRO e os comerciantes”.

Recordou que no meio de novembro foi à inauguração das luzes de natal de Vigo, que em termos de marketing é forte, e disse que “a iluminação das Caldas superava as luzes de Vigo em mil por cento”. “O nosso anjo era muito mais bonito, só que eles têm é uma panóplia de animações que nós não temos e isso é que chama as pessoas”, contou.

Quanto às vendas no natal, disse que tiveram “muitas pessoas a visitar e a comprar, mas a adquirir os produtos mais baratos”. “Nota-se que está instalada uma crise no nosso país, para não falarmos de uma crise mundial”, referiu, acrescentando que “só há uma área que não se nota esta problemática, que é na restauração”.

“Não nos podemos esquecer que o difícil não foi a Covid-19, mas os dois anos após a pandemia, onde muitos de nós ainda estamos a apanhar cacos e esta é a realidade que nos desgastou a nível financeiro e psicológico”, apontou. “Erguer das cinzas só agora poderá começar a acontecer, apesar das previsões para 2024 não serem muito animadoras”, acrescentou. 

No que concerne às promoções, apontou que “se num Colombo andarão milhares de pessoas aos saldos, nas Caldas algumas pessoas ainda esperam para comprar uma ou duas coisas, mas não é a loucura de antigamente”.

Na sua loja não faz saldos porque tem um conceito diferente, mas vindo da área de marketing, é apologista dos saldos, “porque para escoar produto”.  

Segundo Cláudia Henriques, o paradigma do cliente mudou e a luta com as grandes superfícies “acabou”. “Quanto mais grandes superfícies melhor para as Caldas porque traz mais pessoas. Nós precisamos é de pessoas e o comércio tradicional tem que se pautar pela diferenciação no atendimento e no acolhimento e na diferenciação dos artigos e produtos”, contou.  

“Para que o comércio tradicional funcione tem que haver eventos e tem que existir o café, petisco, ginjinha na rua e temos tanto para explorar”, salientou.

“Mais pessoas na rua durante a época festiva”

A comerciante Elizabeth Cordeiro proprietária da loja de roupa feminina Jonas, disse ao JORNAL DAS CALDAS que achou muito mais pessoas da rua durante a época festiva. “Sem dúvida mais pessoas, muita animação, o que não quer dizer que houvesse mais vendas”, sustentou.  

Considera que a cidade estava “linda e muito animada”. “As pessoas neste natal diluíram mais o tempo de compras, não vieram todas no final”, apontou.

Pessoas deixaram de fazer compras na véspera do natal

Ana Amaral, responsável pela loja de criança Be N&N, considera que “as pessoas já não esperam para os últimos dias para comprar as prendas de natal”. “O início do mês de dezembro até correu bem, mas no fim foi normal, sem aquela afluência que costuma haver na véspera do natal”, descreveu.

A comerciante criticou o facto de muita da animação ter sido desviada para a Praça 5 de Outubro ou para o Parque D. Carlos I. “Houve alturas de silêncio na rua, só se ouviam os veículos a passar”, contou.

Não aderiu ao “Caldas Fora de Horas”, que considera ser uma ideia com muito potencial para o comércio, porque não tem funcionários. “Sozinha não consigo fazer mais horas, mas faço questão sempre de ter porta aberta no dia 26 de dezembro e no dia 2 de janeiro”, revelou.

Cidade deserta no dia 26 de dezembro

Lurdes Dias, que vive no Canadá, veio passar o natal e a mudança de ano nas Caldas e ficou surpreendida de “passear no dia 26 de dezembro no centro da cidade e ver muita coisa fechada”. “Como eu, havia muitos visitantes e os estabelecimentos e cafés fechados, parecia uma cidade morta, sem ninguém”, manifestou ao JORNAL DAS CALDAS. 

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