“Estivemos durante meses a convidar a comunidade a participar connosco numa ideia de fazer voar a cidade das Caldas. Parece que conseguimos. Não sei agradecer a forma como a comunidade aderiu a esta ideia. Este ano tivemos 1600 andorinhas vindas de todo o país. Foram feitas por crianças, por idosos em lares, em centros de dia, por pessoas que estão sozinhas em casa, por artistas conceituados, por completos anónimos. É isso o que faz a Ode à Primavera. É uma instalação comunitária feita pelas pessoas absolutamente gratuita. Ou seja, estas pessoas gastaram dinheiro para comprar os materiais, ou reutilizaram materiais”, manifestou Zélia Évora, no discurso inaugural.
“Não são todas pretas, algumas são pretas, outras são azuis. Não importa. O que importa é que ainda somos livres e queremos continuar livres a fazer o que nós queremos fazer e as andorinhas podem ser como que nós quisermos”, acrescentou, vincando que “o importante é pensarmos que as pessoas conseguem juntar-se para um bem comum. No meio de tanta coisa horrível que se passa pelo mundo fora, a cidade das Caldas conseguiu juntar a comunidade para fazer uma coisa que, parecendo inútil, é de uma grande utilidade e aconchega o coração”.
Manuel Bandeira Duarte relatou que “foram cerca de 59 horas, aproximadamente, que estivemos aqui nas montagens”. “Alcançámos oito distritos de Portugal, e os Estados Unidos da América, a Alemanha, e a Áustria. Sentimos que todas as andorinhas que foram recebidas este ano têm mais amor, têm mais essência das pessoas”, declarou.
Segundo indicou, houve a inscrição de 92 lojistas pelas Caldas da Rainha, que disponibilizaram um espaço na sua montra para receber andorinhas e que também se voluntariaram eles próprios para fazerem andorinhas nas suas montras.
“Há uma rua destinada exclusivamente à cerâmica, que aplaude as raízes da cidade, que é a Rua do Parque. O Beco do Forno tem um céu fantástico. E temos duas ruas [Rua Dr. Miguel Bombarda e Rua das Montras] preenchidas com andorinhas carregadas de cor”, descreveu.
A vereadora Conceição Henriques deixou uma palavra “de grande apreço a todas as pessoas anónimas, a todas as pessoas da sociedade civil e aos criadores que se associaram a esta iniciativa”.
“A cultura é cada vez mais isto. A cultura está cada vez menos dentro dos museus tradicionais e cada vez mais é uma forma que estamos todos juntos a cocriar, a criar para um fim, envolvendo a comunidade e fazendo com que a cultura seja uma coisa viva. E na condição da vereadora da cultura, eu quero dizer-vos que aprecio, fomento e acho que este deve ser o caminho da nossa cidade, de trazer a cultura para as ruas e fazer com que todos sejam cocriadores desta identidade cultural que é Caldas da Rainha”, afirmou.
A iniciativa decorre até 3 de maio e um mapa de exposições está disponível no Espaço Turismo e na União de Freguesias de Nossa Senhora do Pópulo, Coto e São Gregório, que é parceira na iniciativa.