“A população tem um carinho pelo cemitério onde tem as suas famílias e há um sentimento de tristeza e revolta”, relatou Pedro Barata, presidente da junta de freguesia de Ferrel, no concelho de Peniche, um dos afetados.
Para o autarca, tudo leva a crer que seja um gangue. “Procuram as peças que têm valor. As bases em pedra que estão coladas às campas são arrancadas e retiram as imagens”, descreveu.
Em Peniche, a freguesia de Atouguia da Baleia teve três cemitérios assaltados, em Ribafria, Geraldes e Lugar da Estrada. António Salvador, presidente da junta, lamentou que “locais sagrados estejam a ser alvo de uma prática destrutiva que causa danos materiais e emocionais à nossa comunidade”.
“As pessoas procuram ter sempre as campas o mais zeladas possível e bem ornamentadas, e depois chegam lá e veem aquilo tudo vandalizado e roubado, é ingrato, até mesmo para a junta de freguesia, que agora até tem uma pessoa nas localidades que têm cemitério para abrir e fechar, mas não podemos lá ter um guarda 24 horas por dia”, referiu o autarca.
“Não é durante o dia que eles lá vão, porque sabem que há sempre pessoas a entrar e a sair nos cemitérios, aquilo é durante a noite”, indicou, sublinhando que dada a apetência por materiais mais valiosos, as pessoas deverão usar mais jarras em pedra, porque “essas eles não as querem para nada”.
Apesar de portões fechados e muros à volta, os obstáculos não demovem os ladrões, que atacaram igualmente diversos cemitérios nos concelhos de Bombarral, Óbidos, Lourinhã e Alcobaça.
A situação está a causar uma onda de indignação das populações, que comentam que “já nem os cemitérios escapam à malvadez, nem os mortos têm descanso”.