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Primeiro pequeno almoço empresarial da AIRO

João Duque prevê para 2024 menos inflação e descida de juros do Banco Central Europeu

João Duque, professor catedrático de Finanças e presidente do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), esteve no passado dia 24 em Óbidos e perante 150 empresários do Oeste analisou o futuro da economia internacional, da união europeia e nacional, em que houve previsões boas e outras menos boas. Antecipou alguns desafios para este novo ano, mas acredita na capacidade das empresas portuguesas para os ultrapassar”.

Primeiro pequeno almoço empresarial da AIRO

Segundo o economista, 2024 é um ano “de alguma queda em relação a 2023, com particular preocupação com o desempenho da economia alemã, que é o motor da economia europeia”.

A projeção do produto interno bruto (PIB) de Portugal para 2024 é de 1,2% a 1,4% e para 2025 é de 1,7% a 2,2%. “Apesar de haver este ano algum crescimento é mais fraco que em 2023 e em 2025 vamos recuperar um pouco”, disse João Duque.

O presidente do ISEG foi o convidado da Associação Empresarial da Região Oeste (AIRO), que realizou na Praça da Criatividade, em Óbidos, o primeiro pequeno almoço empresarial, que marcou o arranque do ano económico.

O objetivo desta entidade é realizar anualmente em janeiro de cada ano um evento dedicado ao espetro económico, proporcionando momento de partilha entre líderes empresariais com experiência nacional e internacional para discutir as oportunidades, as ameaças e os desafios que se avizinham.

Turismo é o setor que contribui para o desenvolvimento do país

No início da conversa, João Duque disse que não tem nenhuma bola de cristal para prever o futuro da economia. O que faz é “recolher informação, refletindo sobre ela”.

“Não sabemos o futuro, mas sabemos olhar para trás e ver o que se passou e prever o caminho para frente com alguns indicadores para fazer uma previsão”, referiu.

Relatou que as exportações das empresas nacionais deverão descer no primeiro semestre de 2024. No entanto, revelou aos empresários presentes que “apesar de ser um ano de abrandamento, não se antevê crise”, acreditando que será possível ultrapassar os “cenários mais adversos que possam surgir”. “Quem sobrevive num mercado competitivo fica mais autoconfiante e vai ter sucesso no futuro”, salientou.   

João Duque, que também é comentador da SIC, contou que os setores que mais têm contribuído para o desenvolvimento da economia europeia são “a tecnologia, os media e as telecomunicações”. “A indústria transformadora caiu nos últimos anos e isso é uma preocupação porque estamos a perder valor de produção de qualidade”, relatou.  

O economista destacou ainda o grande setor que tem contribuído para o desenvolvimento económico do país que é “o turismo”.  

O presidente do ISEG considera que os portugueses têm uma capacidade enorme de se adaptar a condições adversas. A capacidade de resiliência e adaptação vai ser a nossa chave de sucesso”, manifestou João Duque, revelando que a questão da sustentabilidade é um objeto “absolutamente obrigatório”.

Investimento na ferrovia deve ser prioritário

João Duque defendeu que o investimento na ferrovia devia ser prioritário e que assume um lugar de destaque para a economia privada.

O comentador falou do desemprego que apesar de em Portugal “estar a subir um bocadinho, não são níveis de preocupação”. Para 2024 e 2025 as expetativas são de uma taxa de desemprego de 6,7%, mais baixo do que em 2023 e um pouco acima da média da União Europeia.

“Há segmentos onde não existe pessoal qualificado porque as empresas têm dificuldade em acompanhar aquilo que seria a remuneração adequada para pessoas com capacidades técnicas e esses recursos humanos saem do país”, explicou, acrescentando que há “dificuldade em gerar emprego para os manter aqui em quantidade suficiente”. Alegou que a culpa é das políticas públicas que “não estimulam, orientam e apoiam os investimentos e toda essa dinâmica para a produção de qualidade em termos de números”.  

O presidente do ISEG referiu que se o Estado não tivesse aumentado o número de funcionários públicos a taxa de desemprego era mais elevada, com mais 150 mil pessoas sem trabalho. “O sentimento geral é que o Estado tem um papal fundamental e são cada vez mais funcionários a fazerem um pior trabalho e isso é incompreensível”, sublinhou. 

Quanto à inflação, a previsão média é de 2,9% a 3,2% em 2024 e 2,2% a 2,5% em 2025. “Na minha perspetiva é que venha a ter valores inferiores aos 2%, apesar no início do ano haja preços que sobem”, reportou, adiantando que “vamos continuar abaixo da média da União Europeia”. 

A manter-se esta tendência de descida da inflação, o economista explica que a expetativa é que o Banco Central Europeu (BCE) baixe as taxas de juro a prazo.

“Se a Alemanha conseguir superar esta primeira metade do ano sem trazer calamidades à zona euro é provável que no segundo semestre já comece a recuperar um bocadinho e também é resultado de um alivar das taxas de juro que toda a gente está a apontar que comecem a ser mais efetivas para o segundo semestre”, relatou.

“Se as taxas de juro baixarem 1% já é uma boa ajuda para estimular as famílias e as empresas a um ano de 2025 mais folgado”, adiantou.

O professor catedrático disse que as eleições antecipadas são um fator de risco para Portugal e causam alguma imprevisibilidade no setor empresarial, onde as “expetativas de investimento poderão ser afetadas”.

No entanto considerou que este ano as eleições “não vão trazer grande novidade, uma vez que o PS tem a proposta de uma política de continuidade em que não vai mexer no orçamento de 2024”. “Há uma alternativa que é uma política da Aliança Democrática (AD), com uma alteração de haver uma mudança mais orientada para a atividade privada, onde pode trazer mais novidade em termos de política fiscal”, acrescentou.

João Duque comparou gerir uma empresa como “conduzir um carro na autoestrada onde não se vê para a frente”, salientando que é “preciso ler estes indicadores e sinais como forma de nos permitir olhar um pouco para a frente sem ter uma bola de cristal”. 

AIRO promove vários congressos

Jorge Barosa, presidente da AIRO, que participou na abertura do evento, recordou que a associação empresarial trabalha no “seu dia a dia para o apoio da comunidade empresarial da região Oeste”.

O responsável destacou a área mais forte de atuação que é a promoção empresarial, anunciando que pretende criar eventos “empresariais com maior cadência, dinamizando a região e também a partir de agora podermos vender os espaços a entidades que assim queiram”.

Segundo Jorge Barosa, a AIRO irá desenvolver em março o Congresso do Alojamento Local.

Em abril irá decorrer a feira de internacionalização, “conjuntamente com o projeto de internacionalização que terá uma missão empresarial inversa na região Oeste, onde estarão presentes empresários de Marrocos”.

No dia 29 de maio irá decorrer o Congresso Empresarial da Região Oeste e em setembro a Agroeste.

A AIRO, graças à sua dinâmica, nos últimos anos tem-se destacado, fazendo com que “entidades nacionais passassem a olhar para nós como uma entidade credível e dinâmica que promove com qualidade as empresas da nossa região”, concluiu.

Presente esteve o presidente da câmara de Óbidos, Filipe Daniel, que afirmou que a iniciativa é importante porque ser empresário hoje é “difícil e complexo”. “Surgem desafios constantes e é importante conhecer os indicadores, partilhando com os empresários algumas dificuldades sentidas pelas empresas”, vincou.

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Segundo o economista, a projeção do PIB de Portugal para 2024 é de 1,2% a 1,4%

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